Decisão Humanitária: Alexandre de Moraes Concede Prisão Domiciliar a “Fátima de Tubarão” e mais 18 Réus do 08 de Janeiro
Por Redação Manual SS DF Brasília, 28 de Abril de 2026
Em uma decisão que marca uma nova fase na execução das penas relativas aos atos de 8 de janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta última semana a conversão da prisão preventiva e definitiva para o regime domiciliar de 19 condenados. Entre os beneficiados está Maria de Fátima Mendonça Jacinto Souza, de 70 anos, amplamente conhecida pelo apelido “Fátima de Tubarão”, figura que se tornou um dos símbolos virais das invasões às sedes dos Três Poderes.
A medida, fundamentada em critérios humanitários e de saúde, altera significativamente o quadro carcerário dos envolvidos de idade avançada, mas impõe uma série de restrições rigorosas que mantêm o caráter punitivo da sentença.
A Análise Jurídica: Prisão Domiciliar Humanitária
A decisão do ministro Alexandre de Moraes não foi aleatória. Ela se baseia no princípio da dignidade da pessoa humana e no dever do Estado de zelar pela integridade física dos custodiados. De acordo com a análise do vídeo (referência: Instagram Post) e dos autos processuais, os 19 réus beneficiados possuem mais de 60 anos e apresentam quadros de saúde considerados graves ou de alto risco clínico.
Juridicamente, a concessão da prisão domiciliar nestes casos encontra amparo no Código de Processo Penal (Art. 318) e na Lei de Execução Penal (LEP). O ministro destacou que a manutenção desses idosos em estabelecimentos prisionais comuns poderia acarretar danos irreversíveis à saúde, dada a necessidade de tratamentos contínuos e cirurgias que o sistema penitenciário muitas vezes não consegue absorver com a urgência necessária.
O Perfil dos Beneficiados e as Condenações
Os réus beneficiados haviam sido condenados a penas que variam entre 13 e 17 anos de prisão. Os crimes imputados incluem:
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado;
- Deterioração de patrimônio tombado;
- Associação criminosa armada.
Fátima de Tubarão, especificamente, foi condenada a 17 anos de prisão. Ela ganhou notoriedade após vídeos gravados no dia 08 de janeiro mostrarem-na incitando a destruição e afirmando que “ia pegar o Xandão”. A sua soltura para o regime domiciliar, ocorrida na Penitenciária Feminina de Criciúma (SC), foi registrada por advogados e familiares, simbolizando para a defesa o reconhecimento de que a idade avançada deve ser ponderada na execução penal.
Regras Estritas: A Prisão Fora das Grades

Embora tenham deixado as unidades prisionais, a liberdade desses 19 indivíduos é meramente geográfica. A decisão de Moraes estabelece um “cerco tecnológico” e jurídico:
- Monitoramento Eletrônico: Todos os beneficiados são obrigados a utilizar tornozeleira eletrônica 24 horas por dia.
- Recolhimento Domiciliar: Proibição de ausentar-se de casa, salvo com autorização judicial prévia para tratamentos médicos.
- Restrição de Redes Sociais: Estão terminantemente proibidos de utilizar redes sociais ou conceder entrevistas.
- Proibição de Contato: Não podem manter qualquer tipo de contato com outros réus ou investigados nos inquéritos dos atos antidemocráticos.
- Retenção de Passaporte: Todos os documentos de viagem permanecem retidos pelo STF para evitar risco de fuga.
O descumprimento de qualquer uma dessas medidas resulta na revogação imediata do benefício e no retorno ao regime fechado em presídio de segurança máxima.
A Responsabilidade Civil: A Dívida de R$ 30 Milhões
Um ponto crucial que o portal Manual SS DF destaca é que a progressão para o regime domiciliar não isenta os condenados das sanções pecuniárias. O STF manteve a condenação solidária ao pagamento de uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, destinada à reconstrução do patrimônio destruído.
Esse valor deve ser pago conjuntamente por todos os condenados, e o não pagamento pode acarretar o bloqueio de bens e contas bancárias, mesmo com o réu em regime domiciliar.
Repercussão no Cenário Político e Social
A soltura de idosos envolvidos no 8 de janeiro tem sido um tema divisivo. Para setores da oposição e grupos de defesa dos direitos humanos de orientação conservadora, a medida é vista como um gesto de “humanidade tardia”. Já para juristas focados na defesa das instituições, a decisão de Moraes demonstra que o STF atua dentro da legalidade, equilibrando a necessidade de punição rigorosa com as limitações físicas dos sentenciados.
Estatísticas recentes indicam que, até abril de 2026, mais de 800 pessoas já foram condenadas pelos atos antidemocráticos. O balanço do STF mostra que cerca de 68% dos envolvidos foram responsabilizados por crimes de menor gravidade, recebendo penas alternativas ou acordos de não persecução penal. No entanto, o núcleo dos “executores”, onde se enquadra Fátima de Tubarão, segue enfrentando as penas mais pesadas da história recente do país.
O Papel do STF em 2026
A atuação de Alexandre de Moraes continua sendo o centro gravitacional da justiça brasileira. Ao conceder essas domiciliares, o ministro sinaliza que o rigor da lei não exclui o respeito aos direitos individuais de saúde, desarmando críticas de que haveria uma “perseguição política” desmedida contra idosos. Por outro lado, ao manter a vigilância eletrônica e as restrições, ele reafirma que a tentativa de golpe de Estado é um crime imprescritível e inafiançável na prática da vigilância democrática.
Conclusão: O Que Esperar Agora?
O caso de Fátima de Tubarão e dos outros 18 idosos será monitorado de perto pela Secretaria de Estado de Administração Prisional e pelo próprio STF. Este movimento pode abrir precedentes para outros réus em situações clínicas similares, mas o tribunal já deixou claro que cada caso será analisado individualmente, sem “anistia coletiva”.
Para os moradores do Distrito Federal e leitores do Manual SS DF, este desfecho é um lembrete de que as cicatrizes do 8 de janeiro ainda estão sendo tratadas nos tribunais, e que o processo judicial, embora longo, busca atingir um equilíbrio entre a justiça retributiva e a proteção constitucional.
Canais de Consulta e Fontes Oficiais:
- STF (Supremo Tribunal Federal): Processos do 8 de Janeiro
- PGR (Procuradoria-Geral da República): Relatórios sobre Atos Antidemocráticos
- Agência Brasil: Notícias Judiciárias